Segredos em órbita

Aqui e de volta outra vez

Oi. Aqui é a Vanessa. Ou Nessa, tanto faz. Tudo bem?

Há cinco anos atrás, eu tinha uma outra newsletter. Por isso você está recebendo esse email agora. Ou pode ser que você seja uma nova pessoa recentemente inscrita por aqui.

De qualquer modo, espero que esse email chegue em boa hora (e se você quiser parar de receber minhas mensagens ocasionais, é só clicar no link unsubscribe lá no final do email).

Sim, eu sei que está difícil ter qualquer boa hora ultimamente. Por isso mesmo estou aqui, falando com você. Bora segurar essa marimba juntos. 

Recapitulando: De onde eu sou, para onde vou

Escrevo essa mensagem aqui de Estocolmo, na Suécia, cidade onde moro há alguns anos. Nasci em 1990, em Porto Alegre, no distante Rio Grande do Sul. E morei cerca de cinco anos em São Paulo, SP, antes de vir aqui para terras gringas.

Não me sinto gaúcha, nem paulista. Nem sueca. Me sinto estrangeira, latina americana de lenço no bolso, em todos os lugares que vou - até mesmo na terra onde nasci.

Escrevo. Não como uma profissão, mas como uma religião, um sacerdócio. Dizem por aí que ler é telepatia; você está me ouvindo com a mente. Algo ecoa essas palavras aí dentro agora. Como é a minha voz na sua cabeça?

Creio no poder da palavra, na construção de realidades. Na busca interminável pelo o que resolvemos dentro de nós com esses símbolos que formam imagens, sabores, cheiros e emoções. Tal qual ver um pãozinho da padaria recém tirado do forno.

Sentiu? O cheiro do pãozinho sempre me distrai. E depois dele vem o cheirinho de café recém passado, para mim é impossível dissociar essas duas ideias da mesma cena.

Os gêneros de minha literatura pouco importam para mim, mas são muito prezados pelos outros. Eu gosto de escrever o que se passa na minha cabeça. Como agora. Como se fosse a minha resposta cabal para tudo: se expresso meus pensamentos com palavras, logo, existo. 

Toc toc. Quem é? Sou eu, Vanessa Guedes.

Ter construído uma carreira na área de programação é um detalhe, uma coisa que acabei fazendo ao longo do caminho, nada tem a ver com esse ofício que me identifica, que me faz mais humana, mais alienígena, mais jovem, mais velha, mais longe, mais perto. Mas talvez a minha intimidade com os computadores tenha me lançado para o mundo da ficção científica, mais precisamente no subgênero cyberpunk. É, eu sou uma escritora de cyberpunk. E de horror também. Do medo de se olhar no espelho na madrugada fria, das coisas que esperam você ali atrás daquela porta fechada. Eu gosto de olhar para o escuro.

E depois escrevo sobre isso.

Últimas publicações

Do ano passado para cá: publiquei uma noveleta (uma história grande demais para ser um conto, mas pequena demais para ser uma novela) chamada Suor e Silício na Terra da Garoa, disponível para ler gratuitamente na revista Mafagafo. É o puro suco do cyberpunk brasileiro. Ou tupinipunk. E também tenho um conto lançado em autopublicação na Amazon, chamado Gênese de um corpo quente. Esse sim: conto de horror. Um flerte com erotismo, com as sombras, uma ode à transformação.

Pelo resto deste ano, meu plano é estudar, editar e ler muito. E aí entra a newsletter que você assinou.

Segredos em órbita e o inferno das redes sociais

Não sou fluente na língua dos influencers; minha relação com a imagem é muito mais de encantamento e introspecção do que de produção e extroversão. Sou putinha de museu. Amante dos ensaios longos, dos fluxos de consciência, das obras de arte interativas e tenho queda pelos clássicos. Eu gosto de olhar, de cheirar, de ouvir. 

E depois escrever. Minha expressão artística é a palavra. A concatenação das frases que conjuro, as caraminholas que enfio na cabeça dos outros. Sente meu drama como escritora e a pressão para produzir conteúdo para redes sociais? Condensar minhas ideias em uma imagem, um vídeo ou um texto de 280 caracteres é o meu inferno pessoal.

Escrever também é minha sex tape. Minha selfie, ou melhor: minhas inúmeras selfies que brotam descontroladas por tantos personagens que jorro para dentro das palavras. Mas apenas um centésimo do que escrevo vai parar fora do meu computador ou do meu diário. As coisas ficam orbitando meu espaço pessoal, como segredos-satélites, enviando sinais aqui e ali.

Essa newsletter é o receptor de alguns desses sinais.

Sou nerd dessa minha religião “ler-interpretar-escrever”, então por aqui vou te trazer algumas coisas como:

  • livros, filmes, podcasts, playlists

  • ensaios sobre ser imigrante

  • reflexões sobre feminismo, arte e literatura

  • organização para desorganizados (coisas práticas)

  • todo tipo de parafernália para escrever (teclados, softwares etc)

  • talvez role umas flash fictions, quem sabe?

Quinzenalmente, para não cansar você nem eu.

Enquanto isso

Você pode parar de imaginar como é a minha voz e ir lá me escutar no podcast Incêndio na Escrivaninha. Quebre esse mistério!

Por lá você encontra a Ana Rüsche e o Thiago Ambrósio Lage liderando as pick-ups comigo. Nossa temporada atual é sobre o zeitgeist de cada década do século XX e XI. Alguns episódios tem convidados, acho que você vai gostar.

Já contei que sou editora de uma revista internacional de ficção científica e fantasia? Pois é. A deliciosa e colorida Eita! Magazine tem duas edições disponíveis para compra na Amazon. Lá você encontra contos brasileiros inéditos em inglês (dois deles traduzidos por mim) e a excelente arte do Raphael Andrade, que também produziu esse logo que estou usando aqui na newsletter. Esse ano, a Eita foi até indicada para um prêmio internacional de tradução, que selecionou seis trabalhos de uma lista de cem outros elegíveis. Não é demais?

Por hoje, é isso.

Beijos, abraços e toda forma de afeto.

Vanessa Guedes.
(twitter) (instagram)

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